Cães idosos que começam a ficar desorientados dentro de casa, deixam de responder aos comandos, alteram os horários de sono, passam a fazer as necessidades em locais inadequados ou apresentam mudanças bruscas de comportamento podem estar sofrendo com a síndrome da disfunção cognitiva canina, conhecida popularmente como demência canina ou Alzheimer canino.

Os primeiros sinais costumam surgir de forma discreta e muitas vezes são confundidos pelos responsáveis com alterações naturais provocadas pelo envelhecimento, porém a perda progressiva da autonomia e a mudança na maneira como o animal interage com as pessoas e com o ambiente podem indicar a necessidade de uma avaliação veterinária.

Entre os sintomas mais comuns estão o olhar perdido, dificuldade para reconhecer ambientes conhecidos, redução da resposta quando é chamado, vocalização excessiva, alteração do ciclo do sono, ansiedade, mudanças na interação com a família e perda de hábitos aprendidos ao longo da vida.

A troca do dia pela noite é um dos sinais que mais chamam atenção, pois alguns animais passam a dormir durante boa parte do dia e ficam acordados durante a madrugada, andando pela casa, chorando, latindo ou procurando os responsáveis como se não soubessem onde estão.

Outro comportamento observado é o animal andar sem rumo ou em círculos, ficar preso atrás ou debaixo de móveis, bater a cabeça contra paredes e objetos ou demonstrar dificuldade para encontrar a cama, os potes de água e alimento e os locais onde costumava fazer as necessidades.

Os sintomas também podem comprometer a segurança do cachorro, que passa a se expor a riscos de queda, colisões, confrontos com outros animais ou situações que antes conseguia evitar normalmente.

O diagnóstico deve ser realizado por um médico veterinário e pode exigir exames laboratoriais, avaliação neurológica e acompanhamento especializado para descartar outras doenças que também provocam alterações de comportamento, perda de coordenação, dor ou redução dos sentidos.

Apesar de não ter cura, a disfunção cognitiva canina pode ser controlada com tratamentos capazes de retardar a progressão da doença e proporcionar maior conforto e qualidade de vida ao animal.

O acompanhamento pode incluir medicamentos prescritos pelo veterinário, dietas específicas, suplementos com ação neuroprotetora, atividades de estimulação cognitiva, fisioterapia, acupuntura, controle da dor e adaptações no ambiente onde o animal vive.

Entre as medidas adotadas dentro de casa estão a redução do espaço de circulação, colocação de tapetes ou pisos emborrachados para evitar quedas, retirada de objetos perigosos e manutenção dos móveis, potes e camas sempre nos mesmos lugares.

O uso de canabidiol ou de outros medicamentos derivados da cannabis também tem sido avaliado em determinados casos, porém qualquer tratamento desse tipo deve ser realizado exclusivamente com prescrição e acompanhamento veterinário.

A síndrome da disfunção cognitiva também pode atingir os gatos idosos, provocando sinais como vocalização intensa durante a noite, desorientação, mudanças no relacionamento com os responsáveis e redução dos hábitos de higiene.

Ao perceber mudanças persistentes no comportamento de um animal idoso, o responsável não deve considerar automaticamente que se trata apenas da idade, pois a avaliação precoce pode ajudar no controle dos sintomas e garantir mais segurança e bem-estar ao pet.

Fonte: jornalista Mateus Oliver