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:: ‘Economia’

Caixa paga Bolsa Família a beneficiários com NIS de final 5

 A Caixa Econômica Federal paga nesta sexta-feira (17) a parcela de fevereiro do Bolsa Família aos beneficiários com Número de Inscrição Social (NIS) de final 5. O valor mínimo corresponde a R$ 600.


 Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, neste mês o programa de transferência de renda do governo federal alcançará 21,86 milhões de famílias, com recursos de R$ 13,2 bilhões. O valor médio recebido por família equivale a R$ 606,91.

 Desde o mês passado, o programa social voltou a se chamar Bolsa Família. O valor mínimo de R$ 600 foi garantido após a aprovação da Emenda Constitucional da Transição, que permitiu a utilização de até R$ 145 bilhões fora do teto de gastos neste ano, dos quais R$ 70 bilhões estão destinados a custear o benefício.

 O pagamento do adicional de R$ 150 para famílias com crianças de até 6 anos ainda não começou. Em janeiro, o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, afirmou que o valor extra só começará a ser pago em março, após o governo fazer um pente-fino no CadÚnico para eliminar fraudes.

 No modelo tradicional do Bolsa Família, o pagamento ocorre nos últimos dez dias úteis de cada mês. O beneficiário poderá consultar informações sobre as datas de pagamento, o valor do benefício e a composição das parcelas no aplicativo Caixa Tem, usado para acompanhar as contas poupança digitais do banco.

 O Auxílio Gás também será pago hoje às famílias inscritas no CadÚnico com NIS de final 5. O benefício, que tem valor de R$ 112 em fevereiro, segue o calendário do Bolsa Família.

 Com duração prevista até o fim de 2026, o programa beneficia 5,95 milhões de famílias neste mês. A aprovação da Emenda Constitucional da Transição permitiu que o benefício fosse mantido em 100% do preço médio do botijão de 13 kg. Apenas neste mês, o governo gastará R$ 667,2 milhões com o auxílio.

 Só pode receber o Auxílio Gás quem está incluído no CadÚnico e tenha pelo menos um membro da família que receba o Benefício de Prestação Continuada (BPC). A lei que criou o programa definiu que a mulher responsável pela família terá preferência, assim como mulheres vítimas de violência doméstica.
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Governo e BC se reúnem pela primeira vez em meio a disputa sobre juros e inflação

 O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), e a ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), encontram-se nesta quinta-feira (16) com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, naquela que será a primeira reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN) desde a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).


 O CMN é o colegiado que estabelece as diretrizes da política monetária e de crédito do país. Sua reunião virou foco da imprensa neste início de novo governo porque ele também define as metas de inflação para a economia. Influencia, portanto, na taxa básica de juros, a Selic, e o ritmo do crescimento –temas de um acalorado debate público travado pelo presidente Lula e Campos Neto nos últimos dias.


 Lula ganhou a eleição prometendo a volta do crescimento. Ele, contudo, tem reclamado que o atual nível da Selic no país – 13,75% ao ano – atrapalha essa retomada.

 Segundo ele, com juros nesse patamar, fica mais caro para o empresário investir e o consumidor financiar bens. Ou seja, a economia não cresce.

 Campos Neto, por sua vez, tem argumentado que a Selic chegou onde está para tentar conter a inflação. O BC é o órgão estatal responsável pelo controle dela. Para isso, usa, principalmente, a taxa básica de juros, justamente para frear consumo e investimentos.

 Em meio a esse debate econômico, cresceu a pressão política sobre Campos Neto. Um manifesto assinado por diversos economistas como André Lara Resende, um dos “pais” do Plano Real, foi lançado cobrando juros mais baixos. A bancada na Câmara do PT aderiu a uma campanha com críticas ao BC. O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sérgio Nobre, chegou a pedir a renúncia de Campos Neto.

 E, neste cenário, é que Campos Neto –nomeado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e com mandato até 2024– se reúne com ministros de Lula.

O que esperar?
 A pauta da reunião do CMN não é pública. Ela é definida pelo presidente do colegiado, o ministro da Fazenda, cargo ocupado hoje por Haddad.

 Existe uma expectativa –ainda que baixa– de que o encontro possa rever as metas de inflação estabelecidas durante o governo Bolsonaro para este e os próximos anos. Deixando as metas mais brandas, o BC não precisaria de juros tão altos para conter preços.

 Dados da inflação de janeiro apontam que, em 12 meses, ela acumula alta de 5,77%. A meta do CMN para o final de 2023 é de 3,25%, podendo chegar a 4,75%. Para 2024, ela é ainda mais baixa: 3%, podendo chegar a 4,5%.

 Para Mauricio Weiss, economista e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), esses índices estipulados são incompatíveis com a realidade nacional. Por isso, ele defende uma alteração, apesar de não crer que ela seja feita nesta quinta. “Eu entendo que seria positiva essa mudança na meta porque ela é hoje muito baixa”, disse ele. “Essa meta enrijece demais a política monetária que o BC precisa praticar.”

 “As metas para 2023 e 2024 são irrealistas e desnecessariamente baixas, mas não acredito que sejam alteradas”, ratificou Simone Deos, professora do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

 Haddad não tem falado sobre mudanças de metas. Já disse que o ideal é que a inflação caminhe para os índices já pré-definidos.

 Campos Neto, por sua vez, afirmou ser contra a mudança em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, na segunda-feira (14). O presidente do BC deu sinais de que admite “aperfeiçoamento” nesse regime de metas. Contudo, ponderou que mexer nisso neste momento pode trazer prejuízos.

 “Se a gente fizer uma mudança agora, sem um ambiente de tranquilidade em que se está atingindo a meta com facilidade, o que vai acontecer é que você vai ter um efeito contrário ao desejado”, afirmou ele.

 “Alterar a meta seria dizer aos agentes econômicos que vai o governo vai ser mais flexível com inflação e isso poderia piorar expectativas”, explicou Miguel de Oliveira, diretor-executivo da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), que também não acredita na mudança.

Dúvida atrapalha
 Oliveira destaca que só a discussão sobre a meta já causou certo “mal-estar” em agentes do mercado financeiro que demandam um compromisso do governo com a estabilidade financeira e também o controle de suas contas.

 Weiss concorda que o debate sobre os juros, inflação e o BC acaba criando certos “ruídos”. Ele pontuou, porém, que pior ainda é se os “ruídos” forem criados e nada for alterado.

 Para ele, se o governo tem mesmo a intenção de alterar as metas de inflação, deveria mudar já. Opositores da medida iriam reclamar, mas se adaptar. Já o ambiente econômico do país seria beneficiado por taxas de juros menores.

 “A expectativa em si não é boa porque ela gera incerteza”, explicou. “Agora, o que importa é se vai ter mudança mesmo. Se tiver a mudança, ela compensa a incerteza.”

 Deos também diz que conviver com os altos juros é pior que conviver com as críticas de quem é contra alterar a meta. “Esse ‘jogo de expectativas’ está bastante exagerado”, disse ela.

 “Economia não é mercado financeiro em que se ganha e se perde com base em antecipar o que a média dos outros aplicadores vai fazer. Isso afeta no curto prazo a cotação do dólar e de ações. Mas pouco tem a ver com a vida real das pessoas.”
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Produção de grãos na Bahia pode alcançar 11,0 milhões de toneladas em 2023

 O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), relativo ao mês de janeiro de 2023, com dados sistematizados e analisados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), estima uma produção de cereais, oleaginosas e leguminosas1 de 11,0 milhões de toneladas (t), o que representa um recuo de 3,3% na comparação com a safra de 2022 – que foi o melhor resultado da série histórica do levantamento para o conjunto de produtos pesquisados.


 As áreas plantada e colhida permaneceram ambas estimadas em 3,4 milhões de hectares (ha), ficando mantidas asprojeções de 2022. Dessa forma, o rendimento médio esperado (3,25 t/ha) da lavoura de grãos no estado também recuou 3,3% mesma base de comparação.

 A produção de algodão (caroço e pluma) está estimada em 1,3milhão de toneladas, que representa ligeira queda (1,1%) em relação ao ano passado. A área plantada com a fibra ficou mantida em 290 mil hectares.

 O volume de soja a ser colhido pode alcançar 7,1 milhões de toneladas, o que corresponde a uma retração de 2,4% sobre o verificado em 2022. A área plantada com a oleaginosa no estado ficou projetada em 1,8 milhão de hectares.

 As duas safras anuais do milho, estimadas pelo IBGE, devem somar 2,7 milhões de toneladas, o que representa retração de 5,4% na comparação anual. Com relação à área plantada, manteve-se a estimativa da safra anteriorde 700 mil hectares. A primeira safra do cereal está projetada em 2,2 milhões de toneladas,1,2% abaixo do que foi observado em 2022. Já o prognóstico para a segunda safra é de um recuo de 20,0% em relação à colheita anterior, totalizando 520,8 mil toneladas.

 A lavoura do feijão pode sofrer um recuo de 2,1%, na comparação com a safra de 2022, totalizando 238,8 mil toneladas. O levantamento manteve a estimativa de 417 mil hectares plantados, a mesma observada no ano anterior. Estima-se que a primeira safra da leguminosa (143,5 mil toneladas) seja 1,4% inferior à de 2022, e que a segunda safra (95,3 mil toneladas) tenha uma variação negativa de 3,1%, na mesma base de comparação.

 Para a lavoura da cana-de-açúcar, o IBGE estimou produção de 5,5 milhões de toneladas, revelando queda de 2,3% em relação à safra 2022. A estimativa da produção do cacau, por sua vez, ficou projetada em 121,0 mil toneladas, apontando uma queda de 4,0% na comparação com a do ano anterior.

 Em relação ao café, está prevista a colheita de 193,2 mil toneladas este ano, 17,3% abaixo do observado no ano passado. A safra do tipo arábica está projetada em 69,5 mil toneladas, com variação anual negativa de 30,8%. Por sua vez, a safra do tipo canéfora teve previsão de 123,7 mil toneladas, 7,0% abaixo do nível do ano anterior.

 As estimativas para as lavouras de banana (913,8 mil toneladas), laranja (634,2 mil toneladas) e uva (66,0 mil toneladas), por sua vez, registraram, respectivamente, variações de 1,0%, -2,9% e 7,8%, em relação à safra anterior.

 O levantamento ainda indica uma produção de 938,3 mil toneladas de mandioca, 9,6% superior à de 2022. A produção de batata-inglesa, estimada em 331,8 mil toneladas, apresenta recuo de 6,3%; e a do tomate, estimada em 179,6 mil toneladas, aponta alta de 0,9% na comparação com a do ano anterior.
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Governo retoma consignado do Auxílio Brasil com novas regras

 Após a suspensão de quase um mês, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social publicou, nesta quinta-feira (9/2), as novas regras para o empréstimo consignado do Auxílio Brasil. Com a mudança, a possibilidade de crédito será mantida, porém, com menor comprometimento da renda, menos parcelas e juros mais baixos. Conforme portaria publicada do Diário Oficial da União (DOU), as novas regras valem para famílias que adquirirem o empréstimo consignado a partir desta quinta (9).
  • Novas regras:Fixar em 5% o limite para desconto no benefício pago a famílias beneficiárias do Auxílio Brasil ou de outros programas federais — antes, beneficiários poderiam comprometer até 40% da renda;
  • O número de prestações não poderá exceder seis parcelas sucessivas — antes, o limite era de até 24 parcelas;
  • A taxa de juros não poderá ser superior a 2,5% — um ponto percentual a menos do que o limite anterior, de 3,5%.
De acordo com as informações do governo federal, um a cada seis beneficiários do Auxílio Brasil e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) contratou o empréstimo consignado, totalizando R$ 9,5 bilhões em desembolsos até 1º de novembro do ano passado, durante o período eleitoral. Especialistas e órgãos competentes alertaram para o risco de superendividamento de famílias de baixa renda. *Com informações do Metrópole
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Governo federal sinaliza que poderá compensar estados pelas perdas com ICMS

 Governadores disseram, após reunião com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que o governo federal poderá compensar os estados pelas perdas na arrecadação com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).


 De acordo com o G1, o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), disse que o estados estimam uma perda de receitas de até R$ 45 bilhões por conta da redução do ICMS. “Já tem uma diretriz de que o governo federal quer fazer a recomposição”, disse Casagrande ao final do encontro com o ministro da Fazenda.

 Porém, segundo o governador, os detalhes da recomposição, como valor a ser recomposto aos estados e o prazo e a forma de pagamento, ainda estão sendo discutidos.

 No ano passado, o ex-presidente Jair Bolsonaro sancionou o projeto que limita as alíquotas de ICMS sobre itens considerados essenciais, como combustíveis e energia elétrica, numa tentativa de conter a disparada da inflação.

 O ICMS é um imposto estadual e é responsável pela maior parte dos tributos arrecadados pelos estados. (ba)
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Sem aumento: Aneel mantém bandeira verde nas contas de luz de fevereiro

 No mês de fevereiro as contas de energia elétrica dos brasileiros não sofrerão reajuste no valor. A informação foi divulgada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que manteve a bandeira tarifária na cor verde.


 As bandeiras verde, amarela e vermelha (que podem ser de patamares 1 ou 2), indicam se haverá ou não taxas adicionais na conta de luz. Elas são utilizadas de acordo com dificuldades na geração de energia elétrica, já que no Brasil a principal fonte são as hidrelétricas. Assim, a verde é a de menor dificuldade e custo e as vermelhas, as de maior.

 A permanência da bandeira verde desde abril de 2022 indica que os reservatórios de água para produção de energia elétrica estão equilibrados com o consumo da população.

 De acordo com a Aneel, a chegada do período chuvoso melhora os níveis dos reservatórios e as condições de geração das usinas hidrelétricas, que possuem um custo mais baixo de produção de energia do que as usinas termelétricas, acionadas quando os reservatórios de água estão baixos.

 No caso de haver, nos próximos meses, desequilíbrio entre os reservatórios de água das hidrelétricas e o consumo de energia, as bandeiras amarela e vermelha (1 e 2) podem ser implementadas, aumentando as tarifas.

 Este reajuste, segundo a Aneel, pode ser de até 64%, sobretudo porque leva em conta o maior custo de manutenção das usinas termelétricas, por conta do aumento do valor do petróleo e do gás natural no último período.
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Haddad confirma lançamento do Pix crédito em 2023

 O Pix revolucionou a maneira pela qual o cidadão brasileiro realiza pagamentos. Seja para transferir dinheiro entre amigos, a compras na loja e online ou ainda para o pagamento de salários, o Pix vem sendo usado quase que diariamente pelas pessoas. Agora, mais uma novidade está para chegar: o Pix crédito.


 De acordo com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), a funcionalidade do Pix como um cartão de crédito estará disponível ainda em 2023 para os consumidores brasileiros. A informação foi revelada em uma reunião com empresários na sede da Fiesp na tarde de segunda-feira (30).

 O sistema de pagamentos instantâneos é um desenvolvimento do Banco Central, e não do governo federal, como tentou reivindicar o ex-presidente Jair Bolsonaro. Desta forma, as informações ditas por Haddad provavelmente foram obtidas durante o encontro que teve com Roberto Campos Neto, presidente do BC, também na segunda-feira.

 O Pix crédito é uma antiga promessa do Banco Central para aprimorar seu sistema de pagamentos. Além dele, estão nos planos outras novidades como o Pix automático, que realiza o débito em conta de pagamentos recorrentes; o Pix internacional, que permitirá a transferência de valores entre países parceiros; o Pix aproximação, que poderá ser feito através da tecnologia NFC; e o Pix offline, que irá permitir que o pagamento possa ser feito mesmo quando não houver internet.
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Brasileiro pagou juros mais altos em 2022; os do cartão explodiram e passaram de 400% ao ano

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Juros do rotativo do cartão de crédito dispararam em 2022. Dados do Banco Central apontam que a taxa média cobrada de quem não paga o valor total da fatura chegou a nada menos 409,3% ao ano em dezembro do ano passado. Alta de mais de 60 pontos percentuais em relação aos 347,4% ao ano cobrados no fim de 2021

 Os juros do cheque especial também subiram, passando de 127,9% para 131,9% no mesmo período.

 Na média das várias modalidades de crédito oferecidas pelos bancos às pessoas físicas, a taxa de juros cobrada subiu 10,8 pontos percentuais em 2022 e chegou a 55,8% ao ano em dezembro.

 Apesar de ser considerada uma taxa alta de juros, é inferior ao cobrado tanto no cheque especial como no cartão de crédito.

 Ainda de acordo com dados da autoridade monetária, o endividamento das famílias brasileiras terminou 2022 em 49,5% da renda acumulada nos doze meses anteriores.

 Ao todo, as famílias comprometeram, no período, 28,2% da renda familiar, o que equivale a mais de um quarto dos ganhos, com dívidas com instituições financeiras.
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Entenda propostas de reforma tributária paradas no Congresso

 A simplificação da tributação sobre o consumo está no centro da primeira fase da reforma tributária, que o governo pretende enviar ao Congresso ainda neste semestre. Segundo declarações recentes do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o texto pretende se basear em duas propostas de emenda à Constituição (PEC) em tramitação no Congresso, e o governo poderá acrescentar ou retirar alguns pontos.


 As duas propostas reúnem diversos tributos que hoje incidem sobre o consumo em menos tributos. A divergência está no número de tributos unificados e na forma como ocorrerá a fusão.

 De autoria do deputado federal Baleia Rossi (MDB-SP), a PEC 45/2019 foi relatada pelo deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), ambos reeleitos no ano passado. O relatório chegou a ser lido na comissão especial da Câmara dos Deputados para a reforma tributária, mas teve a tramitação suspensa após o presidente da Câmara, Arthur Lira, extinguir o colegiado, alegando que o prazo de funcionamento foi extrapolado por causa da pandemia de covid-19.

 A PEC 45 prevê a criação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). O tributo substituiria duas contribuições – o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) – e três impostos – o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e o Imposto sobre Serviços (ISS). Atualmente, as contribuições ficam inteiramente com a União, o IPI é partilhado entre União e governos locais, o ICMS fica com os estados; e o ISS, com os municípios.

 A alíquota do IBS seria composta por uma soma das alíquotas da União, dos estados e dos municípios. Cada esfera de poder poderia definir a alíquota por meio de lei ordinária. A base de cálculo (onde o tributo incide) seria regulamentada em lei complementar.

 Também seria criado o Imposto Seletivo, que incidiria sobre o consumo de produtos que causam danos à saúde, como cigarros, álcool e derivados de açúcar. Esse imposto seria cobrado “por fora”, no início da cadeia produtiva, incorporando-se ao custo do produto e elevando a base de cálculo sobre a qual é aplicada a alíquota do IBS.

 A PEC também prevê a cobrança do IBS no destino, no estado onde a mercadoria é consumida. Isso acabaria com a guerra fiscal entre as unidades da Federação. Haveria um prazo de transição de seis anos para a adoção do IBS, com a extinção do PIS e da Cofins nos dois primeiros anos e a redução gradual das alíquotas do ICMS e do ISS nos quatro anos restantes.

 O relatório apresentado na época previa poucas mudanças na tributação sobre a riqueza, com “alterações pontuais” para reforçar a progressividade (cobrança sobre os mais ricos) do Imposto Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD), que incide sobre heranças e doações, e do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). O texto também prevê a manutenção da Zona Franca de Manaus e do Simples Nacional, regime especial para micro e pequenas empresas.

 Apensada a uma proposta de reforma tributária paralisada no Senado desde 2004, a PEC 110/2019 foi apresentada na Casa em 2019, mas só teve o parecer lido dois anos mais tarde. Relatado pelo senador não reeleito Roberto Rocha (PTB-MA), o texto cria dois tributos: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que ficaria com a União, e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).

 Pela proposta, a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) substituiria a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), o Programa de Integração Social (PIS) e o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep). O Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) substituiria o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), arrecadado pelos estados, e o Imposto sobre Serviço (ISS), de responsabilidade dos municípios. A proposta não unificou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) e o salário-educação no novo tributo federal.

 Em relação ao IBS, o texto propõe uma lei complementar única para os 26 estados, o Distrito Federal e os municípios, porém traz mais flexibilidade aos governos locais. Cada ente público poderia fixar a alíquota do IBS, que seria a mesma para bens e serviços. A cobrança seria no destino, no local onde a mercadoria foi consumida, com um prazo de transição de 20 anos.

 A lei complementar poderia manter benefícios fiscais para vários setores da economia, mas as medidas seriam definidas nacionalmente, não a critério de cada estado ou município. A Zona Franca de Manaus, o Simples Nacional, as Zonas de Processamento de Exportação e o regime especial para compras governamentais (compras feitas pelo governo) seriam mantidos.

 O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) seria substituído pelo Imposto Seletivo, que incidiria sobre bebidas alcoólicas, derivados do tabaco, alimentos e bebidas com açúcar e produtos prejudiciais ao meio ambiente. Assim como ocorre no IPI, a União arrecadaria o imposto, destinando parte das receitas aos estados e aos municípios.

 A isenção sobre os produtos da cesta básica acabaria. Em troca, seria feita uma devolução dos tributos que incidem sobre esses bens a famílias inscritas no Cadastro Único de Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico).

 Em relação aos impostos sobre o patrimônio, o relatório institui a cobrança de IPVA para veículos aquáticos e aéreos, como iates, jet skis e jatinhos. Em contrapartida, isentaria o transporte público, o transporte de cargas, barcos de empresas de pesca artesanal e de populações aquáticas e ribeirinhas. O Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) teria a base de cálculo atualizada pelo menos uma vez a cada quatro anos.

 As duas propostas preveem a reformulação dos tributos sobre o consumo, sem interferir na tributação sobre a renda. Durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, o ministro Haddad afirmou que pretende discutir a simplificação dos tributos sobre o consumo no primeiro semestre e deixar a reforma do Imposto de Renda para o segundo semestre.

 As eventuais mudanças no Imposto de Renda envolveriam o retorno da tributação de dividendos (parcela do lucro das empresas passadas aos acionistas), em troca da diminuição do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Desde 1995, os dividendos no Brasil são isentos de Imposto de Renda.

 Outra possível mudança, sinalizada recentemente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em reunião com centrais sindicais, seria a elevação da faixa de isenção do Imposto de Renda. Sem correção desde 2015, a tabela isenta apenas quem ganha R$ 1.903,98 por mês.
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Caixa paga Bolsa Família a beneficiários de NIS de final 7

 A Caixa Econômica Federal paga hoje (26) a parcela de janeiro do Bolsa Família aos beneficiários com Número de Inscrição Social (NIS) de final 7. O valor mínimo corresponde a R$ 600.


 Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, neste mês o programa de transferência de renda do governo federal alcançará 21,9 milhões de famílias, com um gasto de R$ 13,38 bilhões. O valor médio recebido por família equivale a R$ 614,21.

 A partir deste mês, o programa social volta a ser Bolsa Família. O valor mínimo de R$ 600 foi garantido após a aprovação da Emenda Constitucional da Transição, que permitiu o gasto de até R$ 145 bilhões fora do teto de gastos neste ano, dos quais R$ 70 bilhões estão destinados a custear o benefício.

 Em publicação nas redes sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva escreveu que a manutenção da parcela mínima segue o compromisso estabelecido entre o novo governo e o Congresso Nacional. “Começaremos o pagamento de R$ 600 para famílias beneficiárias. Compromisso firmado durante a campanha e que conseguimos graças a PEC [Proposta de Emenda Constitucional] que aprovamos ainda na transição, já que o valor não tinha sido previsto no orçamento pelo governo anterior”, postou o presidente no último dia 16.

 O pagamento do adicional de R$ 150 para famílias com crianças de até seis anos ainda não começou. Há duas semanas, o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, afirmou que o valor extra só começará a ser pago em março, após o governo fazer um pente-fino no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), para eliminar fraudes.

 No modelo tradicional do Bolsa Família, o pagamento ocorre nos últimos 10 dias úteis de cada mês. O beneficiário poderá consultar informações sobre as datas de pagamento, o valor do benefício e a composição das parcelas no aplicativo Caixa Tem, usado para acompanhar as contas poupança digitais do banco.

 Neste mês não haverá o pagamento do Auxílio Gás, que beneficia famílias cadastradas no CadÚnico. Como o benefício só é pago a cada dois meses, o pagamento voltará em fevereiro.

 Só pode receber o Auxílio Gás quem está incluído no CadÚnico e tenha pelo menos um membro da família que receba o Benefício de Prestação Continuada (BPC). A lei que criou o programa definiu que a mulher responsável pela família terá preferência, assim como mulheres vítimas de violência doméstica.
Agência Brasil
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Conta de energia poderá ser paga através do PIX, Aneel obriga distribuidoras a oferecer

 Nos próximos quatro meses, os consumidores de energia de todo o país poderão quitar a conta de luz via Pix. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) obrigou as distribuidoras a oferecerem o sistema de transferências instantâneas do Banco Central (BC) como opção de pagamento.


 As empresas terão 120 dias a partir da publicação da medida no Diário Oficial da União para cumprir a decisão. De acordo com a Aneel, diversas distribuidoras permitem o pagamento das faturas por Pix, mas outras empresas não apenas deixavam de oferecer a modalidade como nem sequer tinham previsão para implementar o serviço.

 A Aneel esclarece que as demais formas de pagamento, como faturas com código de barras, convênios com bancos e débito automático em conta continuam válidas. O Pix apenas se somará como mais uma escolha para o consumidor.

 O Pix poderá ser oferecido como código QR (fotografado pelo celular do consumidor) junto com o código de barras na parte inferior da conta de luz. Nesse caso, o procedimento pode ser feito sem o consumidor pedir. No entanto, caso a empresa queira substituir a forma usual de pagamento pelo Pix, transformando-o na escolha padrão, será necessário o consentimento do consumidor.

 Segundo a Aneel, a adoção do Pix como meio de pagamento trará vantagens tanto para o consumidor como para as empresas. Do lado do consumidor, além de contar com mais opções, evitará problemas decorrentes da demora, que às vezes chega a dois dias úteis, para a baixa no pagamento. Isso porque as transações via Pix são liquidadas em tempo real.

 Para as empresas, o Pix barateará os custos porque o código QR é mais barato que a impressão de código de barras.
Fonte:Estadão
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Ministro volta a pleitear fim do saque aniversário do FGTS

Sugestão será apresentada ao Conselho Curador do FGTS em março

 O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, pedirá o fim de novos pedidos de saque-aniversário do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), confirmou nesta terça-feira (24) a assessoria da pasta. A sugestão será apresentada na reunião do Conselho Curador do FGTS em 21 de março.


 O pedido não significa que a sugestão será aceita. Isso porque o Conselho Curador reúne representantes do governo, das empresas e dos trabalhadores. Das 12 cadeiras, o governo tem seis; as entidades de patrões, três; e as entidades de empregados, três. Em caso de empate na votação, o representante com maior tempo de exercício no conselho terá voto de qualidade.

 Atualmente, o Conselho Curador do FGTS tem cinco cadeiras do governo vazias, com apenas o ministro Luiz Marinho ocupando as vagas destinadas ao Executivo. Como a composição definitiva do conselho ainda depende de nomes que ainda serão indicados, a decisão ficará para março.

 Durante o discurso de posse, Marinho tinha indicado que pretendia extinguir o saque-aniversário para “corrigir distorções” no FGTS. Um dia depois, o ministro recuou e escreveu, nas redes sociais, que pretende apenas debater a medida com o Conselho Curador e as centrais sindicais.

 Por meio do saque-aniversário, o trabalhador pode retirar, a cada ano, uma parte do saldo de qualquer conta ativa ou inativa. Desde a entrada em vigor da modalidade, em abril de 2020, 28 milhões de trabalhadores aderiram ao modelo e retiraram R$ 34 bilhões do FGTS. Em média, R$ 12 bilhões são retirados por ano.

 O período de retiradas de quem opta pelo saque-aniversário começa no primeiro dia útil do mês de aniversário do trabalhador. Os valores ficam disponíveis até o último dia útil do segundo mês subsequente. Caso o dinheiro não seja retirado no prazo, volta para as contas do FGTS em nome do trabalhador.

 A adesão ao saque-aniversário, no entanto, exige cuidado. Pelas regras atuais, ao retirar uma parcela do FGTS a cada ano, o trabalhador deixará de receber o valor depositado pela empresa caso seja demitido sem justa causa. O pagamento da multa de 40% nessas situações está mantido.

 A qualquer momento, o trabalhador pode desistir do saque-aniversário e voltar para a modalidade tradicional, que só permite a retirada em casos especiais, como demissão sem justa causa, aposentadoria, doença grave ou compra de imóveis. No entanto, existe uma carência na reversão da modalidade.

 Ao voltar para o saque tradicional, o trabalhador ficará dois anos sem poder sacar o saldo da conta no FGTS, mesmo em caso de demissão. Se for dispensado, receberá apenas a multa de 40%.
Fonte:EBC
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Petrobras aumenta preço de venda de gasolina para as distribuidoras

 A partir de amanhã (25), o preço médio de venda de gasolina A da Petrobras para as distribuidoras passará de R$ 3,08 para R$ 3,31 por litro, aumento de R$ 0,23 por litro.


 “Considerando a mistura obrigatória de 73% de gasolina A e 27% de etanol anidro para a composição da gasolina comercializada nos postos, a parcela da Petrobras no preço ao consumidor será, em média, R$ 2,42 a cada litro vendido na bomba”, diz a nota da companhia.

 No dia 7 de dezembro, o preço médio de venda da gasolina A da Petrobras para as distribuidoras passou de R$ 3,28 para R$ 3,08 por litro, redução de R$ 0,20 por litro.

 Segundo a empresa, esse aumento acompanha a evolução dos preços de referência e é coerente com a prática de preços da Petrobras, “que busca o equilíbrio dos seus preços com o mercado, mas sem o repasse para os preços internos da volatilidade conjuntural das cotações e da taxa de câmbio”.
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Economia: Preço da gasolina nos postos cai pela segunda semana consecutiva e volta a ficar abaixo de R$ 5

 O preço médio do litro da gasolina vendido nos postos do país recuou pela segunda semana consecutiva, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (23) pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).


 O preço médio do combustível caiu de R$ 5,04 para R$ 4,98 na semana de 15 a 21 de janeiro – um recuo de 1,19%. O valor mais caro encontrado pela ANP foi de R$ 6,99 o litro.

 O litro do etanol hidratado também caiu: foi de R$ 3,94 para R$ 3,85 – uma queda de 2,28%. O valor mais alto encontrado pela agência na última semana foi de R$ 6,57.
 Já o preço médio do diesel passou de R$ 6,36 para R$ 6,32 o litro – recuo de 0,62%. O valor mais alto encontrado na semana foi de R$ 7,99.
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Em entrevista, a diretora executiva da ACT, Paula Johns taxar alimentos ultra processados pode significar mais recursos para políticas sociais

 A taxação de produtos alimentícios ultraprocessados tem papel essencial no combate à fome e à desnutrição e pode financiar políticas públicas. Essa é a defesa de pesquisadores e pesquisadoras do Brasil, que defendem uma reforma tributária pensada para incentivar a produção e o consumo de alimentos menos industrializados ou in natura.


 Dados reunidos pela ACT Promoção da Saúde indicam que os ultraprocessados causam fortes impactos na saúde da população. Em 2019, eles foram responsáveis por 57 mil mortes prematuras em adultos, 10,5% do total de óbitos que poderiam ser evitados.

 Esses produtos estão ligados à ocorrência de obesidade. Atualmente, 6 em cada 10 adultos e 1 em cada 3 crianças apresentam excesso de peso no Brasil.

 A produção dos ultraprocessados também causa impactos ambientais, aumenta a emissão de poluentes e modifica modos de vida em comunidades que vão das grandes cidades às populações mais afastadas do país.

 No documento Propostas para uma Política Tributária de Combate à Fome, Promoção da Saúde e do Meio Ambiente, a ACT traça o cenário e apresenta soluções.
 O objetivo central é buscar saídas que mudem a lógica de políticas fiscais e econômicas voltadas à produção de commodities e industrializados. No lugar dela, é preciso incentivar a produção de alimentos saudáveis.

 As distorções da desigualdade tributária estão por toda a parte. Nos exemplos, a ACT cita a alíquota zero de PIS/Cofins para achocolatados e macarrão instantâneo. Em sucos integrais de fruta, minimamente processados, esse mesmo imposto pode chegar a 9,25%.

 Refrigerantes têm a mesma alíquota de IPI que a água mineral e ainda podem conseguir redução de 25 a 50% no tributo se forem feitos a base de frutas, como o guaraná e o açaí. O setor das bebidas gaseificadas deixa de pagar de R$ 3 a 4 bilhões em impostos anualmente, porque a maior parte da produção ocorre na Zona Franca de Manaus.

 Alimentos saudáveis e tradicionais da dieta brasileira como o arroz e o feijão carregam a mesma porcentagem de impostos que produtos como a salsicha e o macarrão instantâneo em alguns estados. “Não existe uma política tributária que favoreça os alimentos orgânicos ou agroecológicos”, enfatiza o documento.
 Em entrevista ao programa Página 104, da Rádio Una FM, a diretora executiva da ACT, Paula Johns, afirma que é possível mudar essa realidade, mas o processo passa por vontade política. “Claro que tem jeito. Porque, na verdade, o nosso sistema tributário é fruto de escolhas políticas de modelos de tributação.”

Confira os principais trechos abaixo:

RÁDIO UNA FM 104,9: No ano passado a ACT lançou a publicação “O papel da tributação como propulsora da desnutrição, obesidade e mudanças climáticas no Brasil”. A principal conclusão do documento é de que o sistema tributário do Basil privilegia o consumo de ultraprocessados. Como isso acontece?

Paula Johns: Toda a cadeia produtiva acaba valorizando os processos industriais. Para dar escala, baratear o acesso, esse é o grande argumento por trás disso, que vem sendo construído há muito tempo. Então, à medida que você industrializa, você vai agregando valor.

Tem uma lógica da industrialização por trás, que eu não vou nem entrar no mérito. Acho que não necessariamente está errado. Mas precisamos falar de que tipo de produto estamos falando e fazer esse cruzamento com o impacto na saúde, com impacto ao meio ambiente.

A lógica de privilegiar a industrialização não leva em consideração os aspectos da saúde. Só que, nos últimos 10 ou 12 anos, começou com a hipótese da categorização, de classificação nova por grau de processamento dos produtos. Começamos a olhar um pouco mais de perto e colocar uma lupa no que tem nesses alimentos ultraprocessados.

Então sabemos que os alimentos integrais nutrem mais e reduzimos boa parte dos alimentos que estão disponíveis nessa categoria. Há uma mistura de sal, açúcar, gordura e farinha, com uma série de aditivos, uma série de saborizantes, que tem impactos também no nosso organismo.

Tem todo um processo em paralelo a esse processo de construção de um sistema tributário que também vem de longa data. Precisamos olhar para esse sistema tributário. Ele acabou, possibilitando que, quanto mais industrializado o produto, quanto mais longe do produtor, menos imposto ele paga.

Ele vai recebendo créditos tributários à medida que caminha na cadeia de produção. Se você olhar para o produto in natura, ele não paga imposto quando sai da roça. Mas, ao longo da cadeia, ele passa a pagar imposto porque ele não recebe nenhum crédito tributário, ao contrário do que acontece com o produto industrializado ao longo da cadeia.

Chegamos ao fim da cadeia com uma situação bizarra e totalmente antisaúde, em que o refrigerante paga menos imposto do que 1 quilo de abóbora orgânica.

UNA FM 104,9: É possível responsabilizar mais as empresas pela produção e comercialização desses produtos nocivos à saúde?  

PAULA JHONS: Tem um elemento que vale para o Brasil e vale pro mundo. Aqui temos distorções ainda mais graves, como é o caso da tributação de refrigerante, que recebe subsídio. Em linhas gerais, temos que chegar em um modelo tributário em um mundo globalizado. Porque esses produtos circulam o mundo.

Que se chegue a um preço final que leve em consideração os danos à saúde, os danos ao meio ambiente, que vão de trabalho escravo a poluição. Se colocarmos no preço final, o que faz mal até se tornaria inviável e o que faz bem se tornaria acessível.

Claro que essa é uma fala simplificando. É um problema complexo. Mas é para dizer que tem solução. Uma delas é tributar o que faz mal à saúde, para mitigar um pouco esse problema de que o preço final não corresponde ao dano. É uma ação de mitigação.

UNA FM 104,9: Então essa tributação serviria, por exemplo, para financiar políticas sociais, políticas públicas de saúde que dessem conta desse prejuízo?

PAULA JHONS: Exatamente. A ideia é essa. Inclusive, quando discutimos o tema do tabaco, esse debate está mais avançado no sentido da compreensão de que produtos de tabaco devem ter sobretaxa. Já há até acordos internacionais para que os impostos da tributação desses produtos nocivos à saúde fomentem um modelo de desenvolvimento mais sustentável, mais solidário e mais saudável.

Por isso estamos compondo com outras organizações uma discussão sobre o que a apelidamos de Reforma Tributária 3S. Ela tem que ser solidária, saudável e sustentável. Requer uma mudança estrutural mais ampla, que precisamos. Não vai ser da noite para o dia, mas temos que começar por algum lugar. Um desses lugares é sobretaxando esse tipo de produto. Aí entra cigarro, produtos alcoólicos e produtos ultraprocessados.

UNA FM 104,9: Como responder às críticas à criação de impostos e às afirmações de que o poder público deve interferir menos no mercado?

PAULA JHONS: Temos que começar desconstruindo esse mito do livre mercado. Não existe livre mercado nem no país mais liberal. Não existe nenhum produto na cadeia agrícola que não receba subsídio. O dinheiro público tem sido injetado em diferentes partes dessa cadeia produtiva. Então podemos fazer escolhas de para onde vai esse dinheiro público.

No caso do Brasil, temos um potencial de produção de alimentos de base limpa fantástico. Temos 4 milhões e meio de agricultores familiares. Imagina a quantidade de comida que você pode produzir numa área pequena, de base limpa, em que você ainda presta um serviço ambiental de proteção?

Nós não utilizamos isso. Para onde está indo todo o recurso? No caso do Brasil, para financiamento do agronegócio. Qual é a principal agenda da bancada ruralista no Congresso? Uma delas é perdão de dívida.

Não dá para dizer que o agronegócio se sustenta, porque se você olhar, fizer a conta na ponta do lápis, ele também recebe fortes subsídios. São essas distorções que precisamos começar a corrigir. Precisamos de políticas públicas que fomentem a produção de alimentos de base limpa.

Hoje, um agricultor super talentoso, que tem a própria semente, que produz as próprias caldas, que tem uma lavoura linda, diversificada, maravilhosa, que é tudo de bom para a saúde e para meio ambiente, ele mal consegue sobreviver da forma que o sistema está colocado.

A receita para fazer isso nós temos, mas esbarramos na questão dos lobbys, fica cada um querendo defender o seu quinhão. Se você tem um setor que já é privilegiado por conta de um desenho de política pública, ele não vai querer que isso mude.

Eu diria que esse é o maior obstáculo. Não é falta de saber o que é preciso ser feito. É como você lida com essas resistências a essa mudança que precisa acontecer. Para que tenhamos uma comida limpa, justa, boa e barata, acessível para todo mundo.

UNA FM 104,9: Esses pontos foram apresentados ao novo governo? Quais são as expectativas para a gestão de Lula (PT)? 

PAULA JHONS: A sociedade civil já está pronta há muito tempo. Nós passamos os últimos anos nos preparando para poder dialogar. Claro que entendendo que tem todas as reestruturações que estão acontecendo na composição dos novos ministérios com os quais vamos conversar.

Mas já temos feito conversas entre as organizações, discutindo, por exemplo, esse tema da Reforma Tributária 3S. Para fazer essa incidência desse diálogo com o novo governo. Pelo menos temos uma esperança de fato de que, apesar dos obstáculos – porque o governo vai ser pressionado de todas as formas possíveis, por muitas pessoas e todos os atores -, temos mais espaço para fazer esse debate público também.

É importante que a população entenda o porquê. Se tudo virar uma questão de que isso é de direita e isso é de esquerda, vamos perder o foco. Porque ninguém discorda que a gente precisa de políticas públicas que sejam boas e promotoras da saúde, da sustentabilidade, da justiça social.

A discordância está em como vamos fazer para chegar a esse lugar. Para isso, tem que fazer muito debate mesmo.

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Caixa começa a pagar Bolsa Família de R$ 600

 A Caixa Econômica Federal começa a pagar nesta quarta-feira (18) a parcela de janeiro do Bolsa Família com valor mínimo de R$ 600. Recebem hoje os beneficiários com Número de Inscrição Social (NIS) de final 1.


 Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, neste mês o programa de transferência de renda do Governo Federal alcançará 21,9 milhões de famílias, com um gasto de R$ 13,38 bilhões. O valor médio recebido por família equivale a R$ 614,21.

 A partir deste mês, o programa social, que estava com o nome de Auxílio Brasil no governo anterior, volta a ser chamado de Bolsa Família. O valor mínimo de R$ 600 foi garantido após a aprovação da Emenda Constitucional da Transição, que permitiu o gasto de até R$ 145 bilhões fora do teto de gastos neste ano, dos quais R$ 70 bilhões estão destinados a custear o benefício.

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ANP confirma interdição de poços de petróleo na Bahia; impacto passa dos R$ 6 milhões por dia

 Contrariando expectativas de representantes do setor produtivo baiano, a ANP rejeitou o pedido da Petrobras, de reconsiderar a interdição do Polo Bahia, que envolve 37 áreas produtoras de petróleo em 30 municípios baianos. A agência informou por meio de nota que decidiu ainda criar um grupo de trabalho para monitorar a situação e articular as ações necessárias à retomada gradual e completa de sua produção. O prazo para a suspensão gradual das atividades se encerrou ontem. Com uma produção diária que varia entre 15 mil e 20 mil barris de petróleo por dia, o prejuízo com a interdição pode ultrapassar facilmente os R$ 2 bilhões por ano. Por dia, com o barril a US$ 80, a perda é de R$ 6,3 milhões. Daí, R$ 165 milhões seriam distribuídos como royalties de petróleo. O temor de quem está acompanhando a situação é que se repita aqui na Bahia o que se deu em Carmópolis, no estado vizinho de Sergipe. Por lá, a indústria ficou por seis meses parada e quase quebrou a economia local. “A ANP entende que não pode se furtar ao seu dever de fazer cessar as situações de risco grave e iminente mas, ao mesmo tempo, não medirá esforços para que a retomada da produção ocorra o mais rápido possível”, diz comunicado da agência.


 A definição vinha sendo aguardada com muita atenção por conta da importância econômica da produção para as áreas produtoras, em sua maioria com uma população de baixíssima renda e baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Além disso, há um total de 3.778 trabalhadores nas atividades de Extração de Petróleo e Gás Natural e Atividades de apoio à extração de petróleo e gás natural na Bahia, de acordo com dados da de acordo com os dados da RAIS/CAGED (2021). A maior parte desse contingente está ligada diretamente à produção do Polo Bahia Terra. Esse montante de trabalhadores gera uma renda anual em salários da ordem de R$ 365,8 milhões. Em posicionamento recente, a Petrobras informou que o processo de venda do Polo Bahia Terra encontra-se na fase de negociação com o consórcio das empresas Petrorecôncavo e Eneva, “não tendo sido suspenso”.

 Receber de volta o crédito de ICMS devido pelo governo da Bahia em operações de importação ou exportação está se tornando um verdadeiro martírio para muitas empresas. O que já foi apenas um trâmite burocrático na liberação dos recursos – preciosos para aqueles que são de menor porte –, há uns três meses vem se convertendo num verdadeiro calvário. Estimativas informais indicam um volume de até R$ 100 milhões em créditos represados. Empresas que importam pagam automaticamente 18% de ICMS pelos produtos e, em muitos casos, fazem jus a uma alíquota real menor. Isso vira crédito. Alguns exportadores também têm o direito de receber de volta o imposto, como previsto na Lei Kandir. Também vira crédito. O que operadores de comércio exterior ouvidos pelo Farol Econômico dizem é que houve uma mudança na sistemática de liberação que tem travado tudo.

O fim de ano foi mais econômico na Bahia, com pouco avanço no consumo em relação ao mesmo período do ano passado, segundo levantamento do Itaú Unibanco com base nas compras realizadas com os cartões do banco no estado em dezembro. A exceção ficou para os consumidores da Geração Z. Entre as pessoas com até 23 anos, o total gastos avançou 51% e a quantidade de transações, 40%. Em dezembro, a Bahia foi o 4º estado com maior quantidade de transações nos cartões do Itaú no país, contabilizando 6% do total. Neste cenário, 38% das compras foram feitas à vista, com ticket médio de R$ 82, e 62% foram parceladas, com um valor médio de R$ 411.

 Importante indicativo do ritmo de contratação de grandes obras de infraestrutura e energia no país, o seguro garantia consolidou a Bahia como referência no Nordeste, com 33% de todas as apólices comercializadas na região. Entre janeiro e novembro, foram arrecadados R$ 68 milhões em prêmios, equivalendo a um crescimento de 12% sobre igual período do ano anterior, de acordo com a Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg). “O seguro garantia é o único instrumento contratual que permite ao agente garantidor retomar e concluir a obra sem exigir novo processo de licitação. A apólice também oferece a cobertura de custos adicionais por parte do Estado”, afirma o presidente da Comissão de Riscos de Crédito e Garantia da FenSeg, Roque Melo.

 A 32ª edição da Bahiacal, de domingo (15) a terça-feira (17), deve movimentar R$ 60 milhões. Lojistas dos segmentos de calçados e moda de todo o Nordestes são esperados no Centro de Convenções de Salvador para a maior feira regional de calçados do Brasil. Cerca de 15 mil itens de 300 marcas serão expostos, entre calçados femininos, masculinos, esportivos, infantis, além de bolsas, roupas, malas, mochilas, perfumes relógios e acessórios de moda. Lojistas dos setores têm entrada gratuita mediante apresentação de CNPJ do segmento. A previsão é de que o evento receba mais de 1.500 visitantes.

 O escritório baiano Pessoa & Pessoa Advogados Associados, um dos mais tradicionais escritórios da área trabalhista no país, teve o seu Programa de Capacitação para Juventude Negra reconhecido em 2022 como iniciativa de equidade racial pela 5ª edição do Selo de Direitos Humanos e Diversidade da Prefeitura de São Paulo. O selo foi criado com o propósito de reconhecer boas práticas de gestão da diversidade e promoção dos direitos humanos nos setores público e privado.
Correio Da Bahia
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Em 2022, cesta básica subiu nas 17 capitais pesquisadas pelo Dieese

 No ano passado, a cesta básica ficou mais cara nas 17 capitais brasileiras analisadas pela Pesquisa Nacional da Cesta Básica, que é divulgada mensalmente pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socieconômicos (Dieese).


 Em Goiânia, o preço da cesta subiu 17,89% em 2022 na comparação com o ano anterior, maior alta registrada pela pesquisa. Em seguida, apareceram Brasília (17,25%), Campo Grande (16,03%) e Belo Horizonte (15,06%).

 As menores altas acumuladas no ano passado foram observadas no Recife (6,15%) e em Aracaju (8,99%).

 Quando se considera apenas o mês de dezembro, o valor da cesta básica subiu em 14 das 17 capitais analisadas pela pesquisa, com destaque para Fortaleza (3,70%), Salvador (3,64%) e Natal (3,07%). Só houve queda de preço em Porto Alegre (-2,03%), Curitiba (-1,58%) e Florianópolis (-0,90%).

 Em dezembro, a cesta mais cara do país era a de São Paulo, onde saía, em média, por R$ 791,29. Em seguida, estavam as cestas de Florianópolis (R$ 769,19) e Porto Alegre (R$ 765,63). A mais barata era a de Aracaju, onde custava, em média, R$ 521,05.

 Com base no valor da cesta mais cara [que em dezembro foi a de São Paulo] e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e da família dele com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o Dieese estimou o salário mínimo ideal em R$ 6.647,63, ou 5,48 vezes maior que o valor atual, de R$ 1.212.

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Extra de R$ 150 por criança do Bolsa Família deve sair em até 90 dias

 O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias (PT), afirmou que a revisão do Cadastro Único, a base de dados sobre beneficiários do Auxílio Brasil, que o governo já chama de Bolsa Família, pode ser concluída em até 90 dias.

 O ministro já anunciou que a pasta fará uma reformulação do programa assistencial, e que a atualização do cadastro é uma prioridade para assegurar que o benefício seja mantido par aqueles que de fato se enquadram nos critérios. Segundo Dias, algumas pessoas recebem o benefício indevidamente.

 No entanto, até a conclusão do novo desenho, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai manter os pagamentos nos moldes atuais. Dias reforçou que o governo precisa de segurança e eficiência para garantir o Bolsa Família, e que esses itens passam obrigatoriamente pela revisão do cadastro.
 Dias também destacou que a reformulação do programa inclui fazer um processo de reintegração de prefeituras, estados e entidades para recuperar toda a rede de assistência social que foi fragmentada durante a gestão bolsonarista.

 A atualização do cadastro, destacou o ministro, é essencial para liberação do benefício adicional de R$ 150 por criança entre zero e seis anos.

 O ministro ainda afirmou que não há uma definição de como proceder com os beneficiários do Bolsa Família que utilizaram o empréstimo consignado, mas têm dificuldade de quitar as parcelas. Uma alternativa seria liberar a sua participação no Desenrola, o programa de renegociação de dividas anunciado pelo Ministério da Fazenda para famílias e pequenas empresas com dificuldades financeiras

 Essa modalidade de empréstimo, adotada majoritariamente pela Caixa, foi suspensa pela Justiça no final do ano passado, mas muitos beneficiários chegaram a contratar o financiamento.

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Ministro recua de ideia de fim do saque-aniversário do FGTS

 Um dia após lançar a possibilidade de extinguir o saque-aniversário do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, voltou atrás. Em postagem na rede social Twitter, ele escreveu que a modalidade de saque será “objeto de amplo debate” entre o Conselho Curador do FGTS e as centrais sindicais.


 “A nossa preocupação é com a proteção dos trabalhadores e trabalhadoras em caso de demissão e com a preservação da sua poupança”, escreveu o ministro.

 A primeira declaração sobre um eventual fim do saque-aniversário havia sido dada nesta quarta-feira (4) pelo ministro em entrevista ao jornal O Globo. Em seguida, a própria assessoria de imprensa do ministério confirmou a informação de que a pasta pretendia encerrar a modalidade.

 “A manutenção ou não do saque-aniversário do FGTS será objeto de amplo debate junto ao Conselho Curador do FGTS e com as centrais sindicais. A nossa preocupação é com a proteção dos trabalhadores e trabalhadoras em caso de demissão e com a preservação da sua poupança”, postou o ministro no Twitter.

 Desde a entrada em vigor do saque-aniversário, em abril de 2020, 28 milhões de trabalhadores aderiram a modalidade e retiraram R$ 34 bilhões do FGTS. Em média, R$ 12 bilhões são retirados por ano.
Retiradas anuais

 Por meio do saque-aniversário, o trabalhador pode retirar, a cada ano, uma parte do saldo de qualquer conta ativa ou inativa. O período de saques começa no primeiro dia útil do mês de aniversário do trabalhador. Os valores ficam disponíveis até o último dia útil do segundo mês subsequente. Caso o dinheiro não seja retirado no prazo, volta para as contas do FGTS em nome do trabalhador.

 A adesão ao saque-aniversário, no entanto, exige cuidado. Pelas regras atuais, ao retirar uma parcela do FGTS a cada ano, o trabalhador deixará de receber o valor depositado pela empresa caso seja demitido sem justa causa. O pagamento da multa de 40% nessas situações está mantido.

 A qualquer momento, o trabalhador pode desistir do saque-aniversário e voltar para a modalidade tradicional, que só permite a retirada em casos especiais, como demissão sem justa causa, aposentadoria, doença grave ou compra de imóveis. No entanto, existe uma carência na reversão da modalidade.

 Ao voltar para o saque tradicional, o trabalhador ficará dois anos sem poder sacar o saldo da conta no FGTS, mesmo em caso de demissão. Se for dispensado, receberá apenas a multa de 40%.
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